A babaquice do Dia Mundial Sem Carro
22/setembro/2010 - Postado em Carros, Miscelânea | 22 comentários »Eu sempre recuso sacola de papel na padaria quando compro pouca coisa. Eu já mudei a ordem das coisas que faço no escritório depois do almoço (urinar, passar fio dental, escovar os dentes) para economizar um enxague e duas folhas de papel toalha. Atualmente, moro a 1,2km do trabalho, e portanto meu meio de transporte é meu tênis. Meu carro possui o motor que foi eleito pelo Ibama o menos poluente do Brasil. O esporte aquático que eu prático é ultra-eficiente, já que eu utilizo apenas o vento para me locomover pela lagoa.
E hoje fiz questão de vir trabalhar motorizado, como forma de protesto contra essa babaquice que é o Dia Mundial Sem Carro.
A utopia da “Jihad Ciclística” (como meu amigo ciclista Cabeça os chama), de um mundo livre dos “vilões demoníacos” chamados automóveis não passa disso: de uma utopia. Cada meio de transporte tem a sua particularidade e o seu uso. Em várias situações, o uso de qualquer um deles se torna extremamente inviável. O que falta ao brasileiro, para variar, é a ponderação e a consciência disso. A bicicleta é um meio de transporte prático e eco-friendly, mas longe de ser adequado para todos. Querer forçar seu uso é tão pouco civilizado quanto não ter senso de coletividade e utilizar o carro desnecessariamente. Na minha opinião, este é o ponto principal. Na Europa a conotação do dia é de conscientização; aqui no Brasil, demonização do automóvel. Não pode existir esta divisão maniqueísta de que quem pedala e não usa carro é do bem, e que quem queima gasolina é do mal.
E é claro que o dia mundial sem carro só faz sentido quando se tem alternativas a ele. Uma cidade com um metrô que sequer passa pelo centro da cidade, com relevo acidentado, sem ciclovias, e com transporte por ônibus deficiente não pode exigir de seus habitantes que abandonem o uso do carro.
Sem risco de soar demagogo: não adianta nada deixar o possante na garagem hoje, só pra se sentir menos eco-culpado, e continuar agindo toscamente.